segunda-feira, 13 de maio de 2013

O que sentem alguns alunos quando ouvem a palavra AVALIAÇÃO?!?



Estimado leitor,
Nesta mensagem serão colocados alguns excertos de texto do capítulo 8 -reflexão dos alunos do ensino fundamental sobre preconcepções avaliativas- do livro Avaliação como apoio à aprendizagem... 




Categorias relacionadas com os sentimentos e reações associadas à avaliação:
“Para a grande maioria dos alunos do ensino fundamental* (…), a avaliação costuma ser associadas a sentimentos de reações de “nervosismo”, como expressam vários alunos:
«Quando a professora diz que temos que fazer a avaliação, fico muito nervosa, sinto calafrios e peso na consciência.»
(…)
Além do nervosismo, os alunos dessa etapa costumam equiparar a avaliação a medo, preocupação relacionada com «Serei aprovado ou reprovado na prova». Mas também comparam avaliação com cansaço (…), e finalmente associam com a ideia de «descanso», pelo dever cumprido” (Ballester et al, 2003,p.96).

Categorias relacionadas com os processos mentais que a avaliação implica
"Observamos que o vocábulo mais usado entre os alunos é o que se refere a «estudar», assim o expressa a maioria deles:
(...) «Que é preciso estudar muito para ser aprovado.»
(...)
Logo seguem, em ordem de importância, outras classificações de avaliação, como repassar, memorizar, recordar, aprender, concentrar-se e, por último, pensar"  (Ballester et al, 2003,p.98).


Categorias associadas com o cráter de antecipar o resultado da avaliação
"Para alguns alunos, a avaliação costuma associar-se com a probabilidade de «ser ou não aprovado», se «passará de ano» ou se «terá se saído bem»."(Ballester et al, 2003,p.99).



Categorias relacionadas com os aspectos considerados na hora de avaliar
"(...) O peso da prova ocupa um primeiro plano, seguido, em ordem de importância, pela caderneta, os trabalhos, o interesse, o comportamento e a atitude. Assim o expressam alguns alunos: 

«Penso em ter uma atitude correta porque isso conta muito na nota.»
«A prova, o interesse, o comportamento, a caderneta são coisas que a professora considera na hora de avaliar (é o que ela diz).» "  (Ballester et al, 2003,p.100).



Categorias relacionadas com as consequências da avaliação
"Para parte dos alunos, a avaliação apresenta conotações muito negativas: «Se rodo, tenho que estudar no verão». Do mesmo modo, também seguem apreciações da avaliação unidas a «castigos» por rodar, a «ter que suportar o sermão», «ter que copiar», «muito dever para fazer em casa». Assim o expressa um aluno do ensino fundamental:

«Meus pais me castigam e brigam muito comigo quando sou reprovado. Meu pai me toma os cartuchos e não posso jogar video game.» " (Ballester et al, 2003,p.100).



Categorias que relacionam a avaliação com a aceitação ou reconhecimento social
"Alguns alunos vêem na avaliação a estratégia que lhes pode possibilitar maior auto-estima, o reconhecimento de seu valor pessoal, etc. Assim o expressam as seguintes frases de alunos do ensino fundamental: 

(...)
«Quando chego em casa e mostro a nota boa que tirei, meus pais ficam muito contentes e às vezes até me dão presentes. Meus pais sempre dizem que tenho que estudar muito porque eles querem que tire notas boas» ".  (Ballester et al, 2003,p.100).








*Ensino para crianças entre os 6 e os 14 anos. O Ensino fundamental é equivalente ao Ensino Básico(1º ano até ao 9º ano) em Portugal.

Referências Bibliográficas:
Ballester, M., Batalloso, J. et al (2003). Avaliação como apoio à aprendizagem. Brasil: Artmed Editora. 



3 comentários:

  1. A avaliação tem de ser, no nosso entender, algo que faz parte da evolução do ser humano. E isso acontece desde que nasce até que morre. Estamos constantemente a ser avaliados, com mais ou menos implicações no decorrer da nossa vida. Parece-nos lógico que só evoluímos, crescemos, aprendemos quando percebemos que ainda não sabemos algo. Todavia, a forma como chegamos à conclusão disso pode ser diferente. Temos a certeza que a única forma de criar aprendizagem é envolvendo o aluno neste processo. Talvez os testes, momentos de avaliação pré-definidos e sempre iguais causem este tipo de sentimentos assim como pouco envolvimento do aluno (que até pode estudar mas é para um momento!). Então parece-nos que talvez seja a conotação que se dão a estes momentos que não é a correta desde o início. Não se diz ao aluno que ele será sujeito a uma avaliação para posteriormente rever conhecimentos ainda não adquiridos, mas sim que ele não sabe esses conhecimentos. Claro que numa avaliação ideal o professor deveria propor ao aluno um plano que o fizesse evoluir nas suas maiores dificuldades, mas...não acontece. De qualquer forma, aqui muitos outros fatores se impõe...e a verdade é que a classe docente não tem, neste momento, em Portugal a vida facilitada. Avaliar para formar parece-nos um lema bem mais interessante que Avaliar para Ordenar!

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  2. Para perceber um pouco melhor como as emoções influenciam os alunos e o seu processo de ensino e aprendizagem, sugerimos a leitura dos seguintes textos:
    1- http://recil.grupolusofona.pt/jspui/bitstream/10437/3069/1/Magalhaes.pdf
    2- http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/o-processo-emocional-no-desenvolvimento-aprendizagem.htm

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  3. Muitas vezes as dificuldades na aprendizagem caminham lado a lado com os problemas emocionais. Variadas emoções e comportamentos manifestam-se através da dificuldade na escola e ganham forma no insucesso escolar.
    Perceber o porquê dos jovens, diante da aprendizagem e posterior avaliação da mesma, criarem resistências e bloqueios pelos medos e ansiedades que tal situações lhes provocam pode tornar-se um processo bastante complexo.

    Os jovens desenvolvem-se de acordo com as situações de vida que presenciaram. Muitas vezes a aversão que estes têm a testes, trabalhos, “avaliações” são causados por ideias que lhes foram transmitidas resultantes de relações de causalidade mal interpretadas.
    Muitas vezes, os pais e os profissionais de educação também ficam muitas vezes sem saber o que fazer, perante estas dificuldades que por vezes surgem no decorrer do processo de ensino e aprendizagem.

    Na generalidade dos casos não são as lacunas a nível cognitivo, mas sim a ausência de um bem-estar emocional que faz com que o jovem não se sinta disponível interiormente para ser avaliado. Estão muitas vezes preocupados com outras coisas, cheios de outras coisas, coisas que perturbam, logo não existe espaço para mais nada, e o processo de avaliação pode por vezes despertar emoções difíceis de comportar.

    Aprender a lidar com as emoções dos alunos e ensinar os mesmos a lidar com elas é um verdadeiro desafio para os professores.

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